sábado, 12 de março de 2011

Homofobia


Homofobia caracteriza o medo e o resultante desprezo pelos homossexuais.



A homofobia sempre prejudicou e destruiu imensas vidas. E, na maior parte dos casos, com o mesmo silêncio e a mesma invisibilidade para que sempre foram remetidas (por essa mesma discriminação) as vivências homossexuais. A maior parte das situações de homofobia – familiar, religiosa, no trabalho, na escola, no quotidiano, nos media – ou não chega ao conhecimento público (porque há medo) ou passa desapercebida enquanto discriminação – actua nos subentendidos, num inconsciente colectivo moldado para o preconceito, nas verdades universais que ninguém questiona. Como a “naturalidade” e “exclusividade” da heterossexualidade, e a sua pretensa “superioridade” moral. O problema é, por isso, mais profundo: é que a homofobia age muitas vezes de forma invisível, começando pelas nossas mentes, e “nem sempre se revela de forma óbvia, isto é, através do insulto, do ataque físico ou da exclusão na base explícita de atitudes ou palavras homofóbicas. Muitas vezes ela revela-se no ocultamento, no silenciamento, na aceitação tácita de que as regras e as soluções se aplicam a um mundo normativo - um mundo sem homossexuais.” É uma matriz poderosa nas sociedades actuais: passa de pais para filhos.

A homofobia representa um problema social gravíssimo. Não se trata, como abordam os meios de comunicação social, de um mero “drama humano e pessoal”. É em primeiro lugar uma questão política, social e de direitos humanos, e há leis, instituições, pessoas, responsáveis políticos a quem apontar o dedo. Os media falam desta discriminação como se ela fosse uma inevitabilidade, quase o resultado de se ser homossexual, e não resultasse da acção concreta de indivíduos preconceituosos (a combater), de regras discriminatórias (a eliminar) e de uma organização social homofóbica (a mudar).

A homofobia é estrutural e estruturante de uma sociedade que temos que mudar e tornar mais justa.

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